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Receita: como contabilizar o lançamento mais clássico da empresa?

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Toda entidade precisa de receita independente do nicho, segmento, ramo ou até mesmo tipo de pessoa jurídica. Até mesmo as entidades sem fins lucrativos, mesmo que não visem o lucro, precisam de receitas, afinal, do contrário, não há recursos para cumprir seus objetivos sociais.

Porém, é válido ressaltar que tão importante quanto aumentar receitas, é controlar custos. Uma empresa que possui boas margens certamente tem mais chances de prosperar do que uma empresa que busca aumentar suas receitas a qualquer preço. Contudo, sem receita não há recebimentos, fluxo de caixa, enfim... não há continuidade empresarial.

MAS COMO FAZER ESSE LANÇAMENTO?

Antes de falar sobre o lançamento contábil, em si, é válido ressaltar o princípio contábil que vai nortear essa contabilização, ou seja, o Princípio da Competência.

O Princípio da Competência determina que os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento.

O Princípio da Competência pressupõe a simultaneidade da confrontação de receitas e de despesas correlatas.

Logo, tendo isso em mente, agora sim podemos montar o lançamento contábil de uma venda, que seja, talvez, o mais recorrente de uma rotina contábil.

LANÇANDO AS RECEITAS

Pela primeira parte do dispositivo supracitado, temos a informação de que as receitas são lançadas quando auferidas, independente do recebimento. Isso significa que seja a venda à vista ou a prazo, o que importa é observar se foi executada a obrigação contratual.

Ou seja, deve se observar se houve a prestação do serviço, a venda da mercadoria, a venda do produto. Pouco importa se o valor foi recebido ou não, o relevante, para a contabilidade, é se a entidade cumpriu a sua obrigação para com o cliente. Se isso ocorreu, tem-se o reconhecimento da receita.

Com essa receita, nasce um ativo: um direito a receber o valor dessa contratação. Ou seja, se a receita foi auferida, independente de ter sido recebida, tem-se:

  • D – Cliente (AC)
  • C – Receita (Resultado)

 LANÇANDO OS CUSTOS E AS DESPESAS

Para a receita acontecer, houve um esforço da empresa. Um sacrifício, sem o qual a receita não aconteceria. Esse é, portanto, um conceito para explicar o custo, que nada mais é do que despesas com uma função específica.

A fim de facilitar, tem-se como exemplo um comércio.

OBS: Indústrias e prestadoras de serviço também têm custos, mas o comércio é o exemplo mais simples, claro, que qualquer pessoa, mesmo recém iniciado na Contabilidade, pode acompanhar.

Logo, supõe-se um comércio comprou calçados para vender. Se os calçados estão disponíveis para venda (e vender calçados é a atividade da empresa), esses calçados compõem o estoque de mercadorias para venda. E esse grupo, com os calçados disponíveis para venda ficam lá no ativo. Assim, nessa compra do estoque tem-se:

  • D – Estoque (AC)
  • C – Fornecedores (PC)

É válido observar que a compra do estoque também segue o Princípio da Competência. Isso porque, independente de já ter pago pelo estoque ou não, já se cumpriu a obrigação daquela relação contratual (entre o comprador e o vendedor).

Logo, quando acontece a receita de venda de um sapato, por exemplo, ao mesmo tempo se “realiza” o custo dessa venda.

Ou seja, o estoque, que estava disponível para venda, é realizado, cumpre a sua missão, que é deixar de ser um ativo para a empresa e se concretizar como o custo (o sacrifício) para que aquela venda pudesse acontecer.

Então tem-se o lançamento clássico, ou seja, para a receita auferida na venda do calçado:

  • D – Cliente (AC)
  • C – Receita (Resultado)

E em seguida tem-se a baixa do estoque, virando Custo de Venda de Mercadoria:

  • D – Custo (Resultado)
  • C – Estoque (AC)

É exatamente esses lançamentos que representam aquele parágrafo único: as receitas e despesas correlatas acontecem ao mesmo tempo, em conjunto.

Agora, a fim de avançar ainda mais, pode-se pensar em outras despesas que acontecem diretamente relacionadas à receita de venda e que, portanto, devem ser reconhecidas no mesmo ato.

Se, ao vender, a loja incorre com uma despesa de frete por sua conta, por exemplo, essa despesa comercial deve ser reconhecida no mesmo momento, logo:

  • D – Despesa com Frete (Resultado)
  • C – Contas a Pagar (PC)

O valor do frete incorrido, independente de já ter sido pago deve ser contabilizado.

Além disso, se ao auferir receita de venda, a empresa incorre com despesas relacionadas a tributos sobre receita, como é o caso de PIS e COFINS, então esses tributos devem ser reconhecidos também:

  • D – (-) PIS/COFINS (Resultado)
  • C – PIS/COFINS a Recolher (PC)

ENTENDENDO ESSE PRINCÍPIO NA PRÁTICA

Talvez lá na faculdade, o professor ficava falando desse princípio e não fizesse tanto sentido. Talvez soasse como só uma coisa chata que era preciso decorar, pra depois fazer uma prova e esquecer. Mas, segue a dica: dê atenção ao básico.

O básico não recebe esse nome por ser simples. Ele recebe esse nome por ser a base, o fundamento, o lugar de onde se parte para construir algo maior depois. Sobre uma base frágil, nada perdura. Por isso, é válido construir uma base sólida e, a partir dela, será possível construir uma carreira duradoura.

 


Autor: Andrezza Espíndola, mestranda em Administração e Controladoria pela Universidade Federal do Ceará



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